Sistema penitenciário do Piauí está gritando, mas o Estado nega

Quem está com a verdade sobre as condições de segurança do sistema penitenciário?

A crise no sistema penitenciário brasileiro já resultou em 134 mortes no período de apenas 15 dias. As rebeliões ocorridas no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte, estão expondo uma ferida nacional; a falta de controle das penitenciárias pelos governos estaduais. 

No Piauí a situação não poderia ser diferente. O governo esconde, mas agentes penitenciários e advogados da Comissão de Direito Penitenciário da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PI), afirmam categoricamente que facções influenciam diretamente a rotina dos presídios piauienses.

"O sistema prisional está gritando, não somente a Casa de Custódia e a Penitenciária Irmão Guido, mas as penitenciárias de Bom Jesus e Picos estão pedindo socorro". A afirmação é da advogada Lina Brandão - Presidente da comissão responsável pelo acompanhamento das condições prisionais no Piauí.

Relatos de presos envolvidos em casos de violência, apontam que pelo menos seis facções atuam no Piauí atualmente. São elas: Primeiro Comando da Capital, Primeiro Comando de Campo Maior, Primeiro Comando de Esperantina,  Facção de Teresina, Bonde dos 40 e Comando Vermelho.

Por outro lado, o Estado do Piauí minimiza a situação. O sub-secretário de justiça, Carlos Edilson Sousa, desmentiu as afirmações de que existem facções atuando no Estado, declarando apenas que o Piauí abriga presos muito perigosos, mas que agem isoladamente, sem influência de grupos organizados.

Cartas, estatuto do PCC e outros documentos que comprovam o vínculo de presos piauienses com organizações criminosas, já foram encontradas na Casa de Custódia. Para a advogada Lina Brandão, o Estado não pode alegar ignorância. "É um absurdo nosso secretário dar um relato desse para a mídia. Até a sociedade sabe da existência dessas facções". 

Comente!